Bohol: Os donos da praia e a realidade dos países que visitamos

By Rita Varandas - domingo, maio 15, 2016

Continuando no périplo pelas ilhas Filipinas, decidimos que a próxima a visitar seria Bohol e a escolha revelou-se acertada. Mais uma vez, a beleza natural, mas sobretudo a riqueza das pessoas e as suas histórias. 
Bohol é a décima maior ilha das Filipinas e localiza-se nas Visayas. O país é dividido em três regiões: Luzon - zona norte, as Visayas - zona centro e o sul - Mindanao. A capital de Bohol é Taglibaran. Foi aqui que chegámos depois de duas horas de ferry que partiu de Cebu, a segunda maior cidade das Filipinas. 
Atrações como as Chocolate Hills, o Tarsier, as extensas praias de areia branca - dizem que a qualidade da areia é tal que vendem para outros destinos (mito ou realidade, a brancura e a fineza impresissonam) tornaram a ilha um destino obrigatório.
À parte de todas as belezas naturais, as pessoas. No primeiro dia e como já tem sido hábito, alugámos motos e partimos à descoberta. Encontrámos um casal - pareceram-me serem italianos, mas o encontro foi muito fugaz, não deu para perceber bem - que nos recomendou a Dumaluan Beach, em Pangalao. 



Percebemos um fenómeno que nos causa estranheza e uma certa revolta. Os resorts que se multiplicam ao longo da costa são donos da praia, literalmente. A fracção de areia e mar frente ao hotel são propriedade privada, ou seja, alguém comprou aquele pedaço de terra como se de um terreno comum se tratasse e, portanto, backpackers como nós, turistas que não estejam alojados em estabelecimentos do género ou pior, o próprio povo filipino não podem usufruir do que deveria ser deles por direito e não de um qualquer proprietário ou cadeia hoteleira. Enfim... O dinheiro fala mais alto, infelizmente.
A praia de Dumaluan estava dividida. Nós ficámos como queríamos, no pedaço sem dono e essa escolha permitiu-nos conhecer melhor a cultura filipina que não vem escrita nos livros ou em páginas da internet.


Começaram a chegar a conta-gotas e quando nos apercebemos estávamos rodeados por uma família filipina que disparava perguntas tal a curiosidade em saber o que acontece além fronteiras. Eu, confesso, que tinha outras tantas perguntas guardadas. Já tinha reparado, por exemplo, na quantidade de miúdos, aqui e em qualquer parte das filipinas - talvez menos nas cidades e centros urbanos mais desenvolvidos. 



Uma conversa de mais de duas horas, só com as mulheres da família percebi que a mentalidade é completamente oposta. A mulher da fotografia (não apontei o nome), tem a minha idade: 32 anos. Ela tem 10 filhos. 10!! Teve o primeiro com 12 anos... Quando lhe disse que na Europa tínhamos em média 1 a 2 filhos, ela perguntou porquê. Respondi que ter um filho implicava ter algum orçamento, mas nem eu acreditei a 100% na minha resposta, sobretudo porque ela, com poucos recursos monetários, teve 10! 


Foi um dia magnífico e cansativo. Foi uma experiência intensa, mas sentimos que ganhámos o dia. Conversámos, brincámos, aprendemos e tornámo-nos mais ricos ao conhecer o modo de vida real das pessoas do país que visitamos. 


Os miúdos passam-se com as brincadeiras na água e nisso o Sérgio é rei. O problema é que depois de atirar um miúdo seguem-se mais 20 ou 30. Haja "cabedal" para tanto! :)


No post seguinte, conto como foi a experiência de visitar o tarsier. Uma dica: este animal inspirou a criação da personagem do Yoda do starwars e tem muitas particularidades. Por exemplo, se ficar muito stressado com o barulho, pode suicidar-se... 

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