El Nido, Palawan: A vida numa garrafa de água e a família filipina que deixou saudades

By Rita Varandas - quinta-feira, maio 12, 2016

Penso em El Nido e lembro-me, quase instantaneamente das pessoas, sobretudo da família filipina que gere o hotel onde ficámos, o Pawican, que significa tartaruga marinha, em português.


A família é a pedra basilar da vida dos filipinos. Vivem e trabalham muitas vezes em conjunto, gerindo pequenos negócios de rua ou hotéis, como é o caso desta família. É curioso que, apesar da mãe e da tia estarem presentes, negociámos o preço da estadia com a Elona, a rapariga de t-shirt branca ao meu lado na fotografia. Com apenas 19 anos, é daquelas pessoas de sorriso fácil e com quem é impossível zangarmo-nos.



A família é de Manila, mas a oportunidade de gerirem este hotel, que é ainda muito recente - abriu em Setembro de 2015 - levou-os a El Nido. Justificaram-se quase diariamente, por causa das constantes quebras de electricidade que implicavam cortes de água, porque o abastecimento neste hotel é feito através de uma bomba. Os apagões na ilha fazem parte da rotina dos habitantes. Wi-Fi nem vê-lo. Aliás, perguntámos e só no ano passado a internet chegou à ilha e com muitas, mas mesmo muitas limitações. Nunca consegui entrar num site e mandar uma mensagem no whatsApp era uma tarefa árdua e inglória. 

Quando queríamos lavar os dentes, não havia água, tínhamos de comprar garrafas. Os banhos, eram de balde. Tudo o que normalmente está à distância de uma torneira, de repente, passou a depender de uma garrafa de água. 

Numa das três noites, vivemos mais um apagão. Às três da manhã o corpo despertou para um calor insuportável. Por acaso, neste hotel tínhamos AC, que entretanto deixou de funcionar com a falta de energia. Não havia ventoinhas disponíveis para todos os hóspedes. Felizmente, a energia voltou porque, suspeito, mais alguns minutos e com o calor, a insatisfação virava revolução. 
Explicaram-nos que trazer um gerador de Manila é caro, mas que será o próximo passo no desenvolvimento do hotel. 

É uma maneira de viver tão distinta da nossa, mas ao mesmo tempo tão cativante. E depois, o hipnotizante pôr-do-sol destas paragens (tirando os mosquitos que no lusco-fusco atacam todos os cêntimetros de pele a descoberto).  




No dia seguinte, conhecemos mais dois rapazes, um de 17 anos e outro de 19, que foram os nossos capitães, guias e cozinheiros durante a visita às ilhas que rodeiam El Nido. 

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