Luzon, Parte I: A cidade espanhola e os famosos e ornamentados Jeepneys

By Rita Varandas - sábado, maio 21, 2016

Mais uma estafa para chegar ao nosso destino. Deixámos as ilhas para trás e os últimos dias nas Filipinas serão passados no Norte, na região de Luzon. É como em Portugal, o norte é mais verde, mais frio, chuvoso, mas igualmente encantador. A primeira paragem foi Vigan, uma das únicas cidades históricas que ainda mantém nos edifícios, marcas do tempo da colonização espanhola.





Vigan é uma daquelas cidades repleta de pormenores. Está voltada para o mar da China, mas como ficámos apenas uma noite, mantivemo-nos na cidade e dispensámos a zona costeira. A China influenciou esta cidade histórica porque estava incluída na rota comercial marítima. Os símbolos estão presentes, como se nota pela primeira fotografia. Vigan é uma mistura de arquitectura europeia, asiática e filipina. 



A arquitectura de fusão que encontramos em Vigan baseia-se na casa tradicional filipina mas também nas influências espanholas e asiáticas. A bahay kubo, típica habitação filipina, é constituída por uma pequena cabana de uma só assoalhada, construída com materiais leves, como o bambu, a madeira e a palha, levantada sob palafitas que servem como proteção contra as inundaçõs muito comuns na época das monções e também uma forma de favorecer a ventilação. Em contraponto, os espanhóis trouxeram materiais mais pesados e com eles mais robustez. Nota-se que a estrutura inferior é construída em cimento, mas o andar superior é moldado por painéis de janelas de madeira. 
É considerada UNESCO World Heritage Centre. 





Depois de uma tarde e uma noite em Vigan, decidimos partir para o interior norte em direção a Sagada, onde iriamos encontrar os hanging coffins e uma caminhada que apelidámos de aqua-trekking (próximo post). A viagem incluiu um jeepney e uma van, no total, cerca de três horas, mas por estradas com curvas de 180 graus, a subir, com chuva e nevoeiro. Como sempre (e espero que assim se mantenha), chegámos seguros ao nosso destino.
Quanto ao Jepepney, ele é o transporte público mais popular nas Filipinas e para nós, super em conta. Uma viagem de 45 minutos entre Sagada e Botoc, por exemplo, custou-nos 45 pesos, cerca de 90 cêntimos. Os jeepneys são conhecidos também pela sua ornamentação muito kitsch e por normalmente (ou quase sempre!) circularem super lotados. Cabe sempre mais uma pessoa e nós já sentimos isso na pele, ou melhor, nas pernas! :) 


Os Jeepneys tornaram-se também um símbolo da arte e cultura filipinas. No entanto, os primeiros jeepneys tiveram ADN americano. Após a II guerra mundial, os americanos deixaram para trás centenas de Jeeps militares que foram, posteriormente, vendidos ou entregues aos filipinos. Estes, alteraram à sua maneira os Jeeps, tornando-nos mais longos, com bancos corridos na parte traseira, mais coloridos e sobretudo, mais religiosos, no sentido em que todos têm uma citação da bíblia. Confesso que nunca conheci um povo tão religioso. 



Para terminar, uma curiosidade: quando queremos sair num sítio qualquer do percurso, não precisa de ser uma paragem (aliás, nem sei se realmente existem), batemos com a moeda no tejadilho de metal do jeepney e passamos o dinheiro do bilhete de mão em mão até chegar ao condutor. Não há cá picas, revisores ou sinais luminosos. Um modus operandi diferente, mas que resulta! 

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