Luzon, Parte II: Os caixões pendurados de Sagada e o primeiro trekking

By Rita Varandas - quarta-feira, maio 25, 2016

Em primeiro lugar, deixem-me dizer que o Norte é duro (lembro-me sempre da Guerra dos Tronos quando digo isto)! :) 
As viagens são cansativas - para o corpo e para a mente - e incluem horas e horas de percursos pela montanha, em Jeepneys, autocarros ou mesmo a pé. Fizemos um dos trekkings mais difíceis das nossas vidas, sem dúvida, em Batad. 
Mas antes de ir aos campos de arroz, a vila de Sagada e os seus costumes...
O que me atraiu de início em Sagada foram os caixões, cuidadosa e estrategicamente pendurados em montanhas. Uma tradição de séculos que nos deixa boquiabertos.




Sagada é uma província da montanha. Chegar até aqui implicou uma viagem de avião até Laoag (bem no norte das Filipinas) e mais uma viagem de carrinha de 6 horas que em nada se compara a um percurso pela Serra de Sintra, nem pensar!
Sagada tem o grande atrativo dos caixões pendurados. Uma tradição ancestral e repleta de história e crenças. Ainda hoje, os habitante de Sagada - os Igorots - escolhem se querem ser enterrados no cemitério, dito convencional, ou num caixão destes. O objetivo é que os mortos estejam mais perto do céu e, em simultâneo, era uma forma de proteger os corpos dos animais selvagens. Mas, há mais história, igualmente arrepiante. :) 


Os caixões são pequenos porque o corpo é colocado em posição fetal (as tribos acreditam que o corpo deve ir na mesma posição com que nasceu) e as articulações e ligamentos são partidos por forma a que o cadáver caiba dentro da caixa de madeira, que tem pouco mais de um metro de comprimento. Assustador, eu sei, mas as tradições têm este encanto pelo mistério que encerram. 
A cadeira que está anexada ao caixão (foi uma das coisas que reparámos), é onde durante 24 horas o cadável permanece e é sujeito a um ritual. Só quem morre de causas naturais pode ser enterrado desta forma.
Os caixões foram a primeira paragem de um trekking que durou mais de duas horas e envolveu cavernas, grutas, cascatas e muita bicheza à mistura (tirando as aranhas, estou confortável com o restante reino animal, até ver!). 



Felizmente, há sempre uma cascata para refrescar o espírito. Um aspecto curioso do norte: com a aproximação das monções, só conseguimos aproveitar o dia da parte da manhã. Perdão, de madrugada, porque agora, acordamos com o relógio filipino, às 6:30/7:30 da manhã. Às duas, três da tarde é certinho, começa a chover copiosamente. Normalmente, por esta altura, falha a eletricidade, a internet e a água quente. Vida das montanhas! :) 


Nos dois dias seguintes, explorámos os campos de arroz de Banaue e Batad. Têm mais de 2000 mil anos de história e são considerados pelos Filipinos a 8ª maravilha do mundo. 

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