Trepámos o Rinjani, o segundo maior vulcão da Indonésia: Se nós soubessemos o que sabemos hoje... ;)

By Rita Varandas - quinta-feira, junho 09, 2016

Ah e tal queremos subir um vulcão. Fazer um trekking mais puxadote. Porque não um vulcão activo? E já que estamos em Lombok, porque não o segundo maior da Indonésia, um país que tem, nada mais nada menos, do que 129 vulcões activos?!?! Pronto, desta vontade começou a aventura mais puxada dos nossos 32 e 33 anos. 

Caminhámos, esgravatámos terra, subimos, rastejámos, quase chorámos (eu, porque um homem não chora :p), desesperámos por subir e só vermos encostas escarpadas. Nunca nos nossos sonhos mais aventureiros imaginámos que seria assim tããããããõ difícil. Mas conseguimos! 3726 metros, quase o dobro da Serra da Estrela. 
Estas são as primeiras fotos depois do primeiro dia que incluiu cerca de 8 a 10 horas de trekking até chegar ao acompamento, quase a roçar o topo. Sim, porque esta aventura incluiu duas noites e três dias no vulcão. 
(desculpem a aparência, mas nesta altura estávamos tão mortos e incrédulos por termos caminhado tanto)




As pernas pesavam quilos, se não, toneladas. Eu achava sempre que não conseguia dar mais um passo. Já para o final, dávamos umas quantas passadas e tínhamos que parar porque o esforço era tremendo. 
Mas o que mais nos impressionou, foi o esforço e espírito de sacrifício alheio. O trekking neste vulcão - e imagino que noutros da Indonésia seja semelhante - inclui vários opções. Nós escolhemos 3 dias, duas noites. E a questão que saltou de imediato à cabeça foi: então e comida e dormida, como se processa? Tendas, sacos-cama, águas, tudo isto é indispensável, mas como transportar?






Enquanto nós carregávamos as nossas mochilas com 3 a 5 quilos e já desesperávamos, eles, os chamados porters, levavam às costas, nestas estruturas de bambo, cerca de 35 kilos, às vezes, 40 kilos... Comida, tachos e panelas, tendas, wc portátil, tudo e mais um par de botas. Impressionte, mesmo, sobretudo porque fazem a mesma escalada que nós, de chinelos. A sério. De chinelos. O chão é escorregadio como manteiga devido à humidade e eles, mantinham-se estáveis, não sei como... 




Ali, de 23 anos (primeira foto), Jame (22 anos) e o cozinheiro (não me recordo do nome), acompanharam-nos nesta viagem. Apesar de partirem depois de nós, ultrapassavam-nos sempre e quando chegávamos a um ponto de descanso ou ao acompamento, já tinham tudo pronto. Apesar do esforço sobrehumano, tinham sempre sorrisos genuínos. Conversámos com os dois mais novos e percebemos que estão nesta profissão há um ano e ganham cerca de 30 euros de cada vez que sobem o vulcão.. Achámos tão pouco, tendo em conta tudo o que vimos... Ali contou-se que da primeira vez, chorou, mas não desistiu e que é uma questão de hábito. 
Acho que para nós, tão cedo não faremos algo do género. Chegámos ao acampamento de Plawangan, a cerca de 2638 metros, a tempo do pôr-do-sol. Exaustos, mas extasiados com as vistas e felizes um com o outro, porque superámos mais um desafios, JUNTOS!







À noite, a temperatura baixou bastante. Normal a esta altitude. Acordámos as 5 e meia da manhã para ver o nascer do sol do topo de um vulcão... As fotografias seguintes podem incluir cabelos despenteados e ramelas à mistura, mas preferimos ser fiéis à realidade :P










E quando achávamos que no dia seguinte seria tudo mais calmo, porque haveria um lago e uma hotspring,  as perninhas voltaram a ser chamadas ao serviço. :) 
Ah, só mais um parêntesis, a casa de banho era literalmente um buraquinho no chão e banhinho que é bom, só no dia seguinte e nas hotsprings. Ah, a natureza... :) 

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