Singapura: A cidade-Estado das 1001 regras, o Marina Bay Sands a 500 dólares a noite, a Chinatown do nosso hotel e a natureza criada pelas mãos do Homem

By Rita Varandas - sexta-feira, agosto 12, 2016

A última cidade antes do regresso a Portugal. O recorde pessoal é olímpico para ambos: 92 dias de pausa na rotina do quotidiano. Singapura significou o regresso a uma civilização mais próxima da nossa realidade. Os traços orientais nos edifícios, nas pessoas e na comida mantiveram-se, mas num registo mais ocidentalizado. De repente, tínhamos também transportes públicos (eficazes!) quase à porta de "casa", o que foi uma novidade depois de 3 meses a negociar tuck tucks, vans, barcos, alugueres de motos e, mais raramente, táxis..

Dizem que Singapura possui uma democracia musculada e esta designação deve-se às inúmeras regras impostas à população. Por exemplo, alimentar os pombos - que também sobrevoam esta cidade - implica uma coima de 500 dólares de singapura; nos transportes públicos é proibido comer e/ou beber, caso isso aconteça a multa é de 1000 dólares; o mesmo valor é imposto aos infractores que cuspirem para o chão; comprar pastilhas elásticas é missão impossível porque não se encontram à venda (já para prevenir a poluição nas ruas) e, se alguém for apanhado a contrabandear pastilhas elásticas, paga 100.000 dólares ou fica sujeito a 2 anos de prisão. Claro está que cumprimos todas as regras :)






A verdade é que passámos de países, às vezes, menos atentos a questões ambientais, para outro em que o civismo ambiental é imposto à lei das coimas, mas denota-se também um esforço de educação para a sustentabilidade. Não há dúvida que a limpeza, mas sobretudo a organização, são rainhas. Há pessoas cujo trabalho diário resume-se a organizar filas... 
Capitalismo também é evidente em qualquer canto de Singapura. Um dos hotéis de luxo mais famosos do mundo, o Marina Bay Sands - na primeira foto - tem um barco no topo, é constituído por três torres gigantescas e acomoda uma piscina infinita que apetece mergulhar logo, mesmo vestidos, pelo menos, a julgar pelas fotos. Os quartos mais modestos custam, por noite, nesta época, cerca de 500/600 dólares de singapura! Espantem-se, mas por curiosidade procurámos no booking e... estava esgotado, o que é impressionante, porque o hotel dispõe de 2560 quartos.





Apesar de não ter sido possível ficarmos alojados neste hotel - ainda tentámos juntar todos os trocos da carteira, mas não chegou sequer para uma hora de alojamento :) - é possível pagar cerca de 12 dólares e subir ao topo para apreciar a vista panorâmica da cidade e já agora, vislumbrar ao longe a piscina infinita em que os mais afortunados se banham :P




Mesmo apesar dos arranha-céus que não param de crescer, a cidade aposta nos espaços verdes e num esforço para a sustentabilidade ambiental. Nunca vimos jardins tão impressionantes como aqueles junto à baía (Gardens By the Bay), sobretudo porque foram criados de raíz pelo pensamento e mãos do Homem. De facto, quando há vontade e o Homem sonha, a obra nasce.









Cloud Forest, uma montanha recriada no interior de uma cúpula gigante, cujo objetivo é perceber que tipo de vegetação cresce à medida que subimos ao topo, tirou-nos o fôlego, bem como as super-árvores (Supetree Groove). Paga-se para visitar a Cloud Forest e o Flower Dome, mas todas as restantes áreas ao ar livre que têm uma extensão considerável, são gratuitas.



É pena que sejam necessárias 17 horas de avião (no mínimo) para poder aproveitar desta cidade-estado que reúne várias culturas. Li num guia que cerca de 74% da população é chinesa, 13% são malaios, 9% indianos e os restantes, são eurosiáticos e árabes.
Nós acabámos por escolher um hotel na Chinatown, a cerca de 10 minutos de transportes da baía, a zona mais cosmopolita, turística e também a mais cara de Singapura. Estes três dias na cidade equivaleram a quase duas semanas de alojamento nos países que visitámos anteriormente :P







Ficámos três dias em Singapura, andámos quilómetros, a juntar a todos os outros que já sobrecarregavam as nossas pernas. Preparámo-nos para um voo de 17 horas e uma diferença horária de 7 horas.
Durante 92 dias quando era hora de almoço em Portugal, nós andávamos à procura do jantar. Já sentíamos saudades da comida portuguesa, da paisagem que a avenida da marginal - onde vivemos - proporciona, do nosso mar, da família, dos amigos e por favor, tragam-me um salmão inteiro porque estou a ressacar de sushi :D
Bem sei que é um cliché, mas viajar e conhecer outras culturas, religiões e modos de viver, faz-nos crescer e sobretudo apreciar verdadeiramente o que é Nosso. Acho que vou queixar-me menos e valorizar mais. Estivemos sem água corrente durante uma temporada, às vezes sem electricidade, bens de primeira necessidade que aqui são uma certeza, mas não o são para todos... Enfim, muito para reflectir, mas sempre com aquele sorriso na cara de quem fez o que sonhava! :) 
Brevemente, teremos outra aventura, mas mais prolongada. Vamos emigrar! 

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