Yogyakarta, na ilha de Java: o centro das artes e da cultura javanesa, o nascer do sol no templo de Borobudur, a casa do Sultão e a piscina com vista para o mar

By Rita Varandas - domingo, agosto 07, 2016

Dissemos adeus a Bali (snif, snif) e apanhámos o 14º avião rumo a Java. Foi mais curta a viagem pelos ares, cerca de uma hora, do que a odisseia de autocarro do aeroporto até Prawirotaman, onde ficava o nosso hotel. A verdade é que pagámos 35 cêntimos por pessoa, portanto, apesar do calor intenso e da precariedade do dito autocarro, não nos podíamos queixar muito! 

Da última vez que rumámos ao oriente, não gerimos bem o tempo por forma a conseguir visitar Yogyakarta. Desta vez, deixámos para o final da aventura - é verdade, nesta altura já estávamos em contagem decrescente para o regresso a casa - mas não podíamos perder aquela que é considerada uma das cidades históricas mais antigas e atraentes da ilha de Java. É também o centro da arte e cultura javanesa. A luz natural da cidade é cativante, não chegando, no entanto, aos calcanhares de Lisboa. :P 





A zona mais conhecida de Yogyakarta e onde se concentram os hotéis e sobretudo a zona de compras, é Malioboro. Felizmente, não foi onde ficámos. É uma rua demasiado caótica e com pouco interesse. Uma horas bastam para espreitar o mercado de rua que se estende por dois quilómetros. Normalmente, fazemos sempre uma pesquisa na internet para perceber o sítio que mais se adapta aos nossos interesses. É nos blogues que encontro muita informação extra-turística e foi desta forma que chegámos a Prawirotaman, um bairro ao estilo da Lx Factory, mais tranquilo e mais fiel a Java.


Via Via Prawirotaman

Via Via em Prawirotaman

Visão geral da rua de Prawirotaman em Yogyakarta

No primeiro dia, visitámos o Kraton, o palácio do Sultão e a área envolvente. Foi uma mudança radical, porque há dois meses e meio que os templos faziam parte da nossa paisagem quase-diária. 
Estacionámos a mota, pagámos as 3000 rupias de estacionamento - cerca de 20 cêntimos e sem limite de tempo de permanência (quem nos dera que fosse assim em Portugal) - e deparámo-nos com uma entrada ao estilo árabe e ruas labirínticas sem qualquer indicação para onde ir... Num inglês ao estilo indonésio apontaram-nos para uma ruela e lá fomos nós. O Kraton é uma pequena cidade dentro da cidade maior que é yogyakarta, ladeada por muros onde vivem cerca de 25.000 pessoas. 

Palácio do Sultão em Yogyakarta

Palácio do Sultão

Palácio do Sultão

Kraton

Palácio do sultão

Palácio da Água Kraton

Java Indonesia Yogyakarta


Yogyakarta tem outro atractivo, a proximidade de dois templos a visitar: Borodudur - um dos maiores monumentos budistas no mundo, datado do século 8 e 9 A.C; e o Prambanan - o maior templo dedicado a Shiva, na Indonésia (hindu) e dos maiores no Sudeste Asiático. Ambos são considerados World Heritage, pela UNESCO. 
É interessante perceber que até ao século 20, estes dois monumentos gigantescos eram apenas ruínas, resultantes de tremores de terra e erupções vulcânicas. As ameaças persistem ainda hoje. Por exemplo, em 2010, as cinzas ácidas libertadas pela erupção do Monte Merapi e que se depositam nas estruturas, contribuem para a sua deterioração. 
Este primeiro conjunto de fotos correspondem à visita ao Prambanan. Há várias tours disponíveis, mas como já vem sendo hábito e apesar de ser a uma hora e meia de caminho, decidimos ir sozinhos de mota. Já visitar o Borodubur, implicou acordar de madrugada... 

Prambanan







Eram três e meia da manhã quando o despertador tocou. Na noite anterior já tínhamos organizado tudo para evitar que a sonolência da manhã nos fizesse esquecer de algo importante, como por exemplo, as máquinas fotográficas. Marcámos um carro com um condutor para nos levar a ver o nascer do sol no templo. É uma das atracções e vale muito a pena, mesmo apesar das horas impróprias. 
A viagem de madrugada até o templo foi interessante, porque permitiu descobrir uma Yogyakarta de noite e, sobretudo, sem o trânsito caótico que caracteriza a maioria das cidades asiáticas. 
Chegámos, fizemos o check-in, entregaram-nos umas lanternas porque o breu da noite não permitia ver um palmo à frente dos olhos, e lá fomos. Nós e mais uns quantos turistas. 
Esperámos cerca de uma hora pelo nascer do sol e o céu estava limpo. Perfeito! Mas infelizmente, caiu uma neblina, instalaram-se nuvens na fila da frente e perdemos o nascer do sol. A verdade é que ficou um certo misticismo no espaço - até esperei que surgisse um D. Sebastião por entre os Budas - mas após uma hora, a luz do sol voltou a iluminar o templo, e já agora o meu bom humor, porque estava mesmo desanimada. 










São muitas fotos de Yogyakarta, mas juro que já estou a terminar :)
Decidimos explorar a costa sul de Yogyakarta, a cerca de 45 minutos da cidade. O mar é muito semelhante ao nosso. Já não encontramos água azul turquesa, cristalina, mas mesmo assim é tão quente quanto as praias paradisíacas. Mais uma vez, li num blogue que perto da localidade de Parangtritis existia um resort no topo de uma colina com uma piscina infinita e que seria possível passar lá o dia mediante o pagamento de uma fee. Foram os cinco euros mais baratos da nossa vida :) Um dia inteiro nesta paisagem, até com direito a cabana privada... 






Saímos de Yogyakarta cansados, porque as malas pesam cada vez mais nas costas (também é fruto de termos comprado aqui os presentes para as famílias) e porque as distâncias são grandes, mas satisfeitos por termos finalmente visitado a cidade.
Começámos a falar e percebemos que não voltaríamos nesta viagem a praias, selva ou floresta. O destino que se seguiu foi Singapura, de onde partiríamos para Lisboa, para casa... Foi o primeiro contacto em semanas com o mundo mais desenvolvido. Por exemplo, à saída do aeroporto, existia metro, transporte que há já muito tempo não nos passava pela vista :)

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