Deixámos a Ásia e Portugal e aventurámo-nos na Confederação Helvética: haja regras para tudo neste país

By Rita Varandas - segunda-feira, setembro 12, 2016

Antes de mais, decidi continuar com o que me faz feliz: escrever e fotografar (agora, também para o blogue), sobretudo numa altura das nossas vidas em que voltamos a estar longe do país que nos viu nascer. 
É verdade. 92 dias depois da viagem ao Sudeste Asiático e um Agosto em Portugal para matar, minimamente, as muitas saudades de tudo e todos (ficou muita gente por abraçar), voltámos a pegar nas malas de viagem. Desta vez, numa perspetiva mais definitiva. Emigrámos! 
Apesar do Gili ter tentado encontrar aconchego na mala, ainda não o trouxemos, mas virá num futuro muito (muito, muito) próximo, assim que encontrarmos e nos instalarmos na nossa nova casa! Por agora, ficou com os avós maternos. Ele e os tufos de pêlo que vai largando por onde passa :P


Quando saímos da zona de conforto, é tudo novo, mas há coisas que são ainda mais particulares, sobretudo num país culturalmente distinto do nosso. Ah, chocolates, sigilo bancário e relógios... Pois claro, estamos na Suiça. 

Então, na Confederação Helvética:
  • há uma lei que proíbe o trabalho ao domingo. Este dia é verdadeiramente sagrado para os suiços. Aconteceu-nos pegar no carrito em direção ao supermercado cá da zona e pimbas, dar com o nariz na porta; 
  • não se pode estender/lavar roupa ao domingo ou, por exemplo, cortar a relva. Agradece-se o mínimo barulho possível; 
  • os sacos do lixo não podem ser uns quaisquer. Não, não, não. Da primeira vez, levava o saquinho do pingo doce e fui logo alertada que teria de comprar uns sacos especiais: 10 são cerca de 20 francos; 
  • para os suiços a conversa de ocasião, tipo: "ah e tal, hoje está frio ou neva bastante", não faz sentido. A resposta típica é: "pois, então, é inverno, o que querias que estivesse..."; 
  • quase toda a gente diz bonjour/bonsoir, mesmo que não se conheçam. Obviamente que isto acontece mais nas vilas e bairros do que nas grandes cidades, mas sabe muito bem; 
  • o suiço é como um coco, difícil de conquistar, mas assim que ganhamos a sua confiança, temos um amigo para a vida;
  • num país tão pequeno como este, falam-se quatro idiomas: alemão (63,5%), francês (22,5%), italiano (8,1%) e Reto-romano (0,5%) - isto para não falar no português que se ouve em cada esquina. 
Li tudo isto num livro, claro está que, agora, com o tempo, vou poder formular as minhas próprias opiniões e constatações. 
Confesso que ainda não tive muito tempo para tirar fotos. Desde que chegámos temos dedicado os dias à procura de um novo lar. 






Um destes dias, a chegar à casa temporária, reparo numa bola cinzenta no chão, e essa bola espinhosa mexia-se e fazia barulhos. Susto inicial tipo "quase pisei isto", taquicardia ao rubro - onde estão os comprimidos do meu avô para pôr debaixo da língua, lanterna na mão, tudo a postos. Na verdade, demos "de caras" apenas com um ouriço - bem, ele só mostrou o rabo e os espinhos. Não estamos habituados a tanta natureza assim à porta de casa... :) 

Entretanto, nesta primeira semana marcámos algumas visitas numas agências imobiliárias em Divonne Les Bains - onde ficámos no Verão passado quando o Sérgio esteve cá a trabalhar. Adorámos a vila e ainda por cima temos aqui amigos a viver, portanto, ouro sobre azul. Melhor ainda, encontrámos uma casa!!! Apaixonamo-nos por um apartamento que fica mesmo no centro da vila. Ao domingo há um mercado que enche as ruas - inclusive a nossa - e dá para descer e comprar algum ingrediente que falte ou mesmo fazer as compras dos produtos frescos. Já nem falo nas sessões fotográficas que farei às especiarias, legumes, frutos, comerciantes, visitantes e compradores. 
Só mudamos no início do mês, mas apresento desde já - e com muita felicidade dentro de mim - a nossa nova rua, o prédio e o quarteirão nas traseiras :)




Os episódios dos próximos capítulos incluem mobilar uma casa em França - ah, pois é, o apartamento fica em França, mesmo perto da fronteira com a Suiça - porque passar a alfândega com produtos comprados na confederação helvética (e vice-versa) tem regras, restrições e proibições. Somos chamados Frontaliers, designação encontrada para definir as pessoas que apesar de trabalharem na Suiça, vivem em França. E porquê? Porque o franco dói e muitas pessoas optam pelos euros de França quando se trata de gastar dinheiro. Muito curioso. 
Por dia, chego a passar a fronteira umas quatro vezes! Assunto para um novo post, até porque hoje em dia, como viajamos muito de avião, já não nos lembramos de como é atravessar a fronteira, sobretudo em países como a França - que prolongou o estado de emergência por mais três meses pelas razões que infelizmente conhecemos - e a Suiça, que apesar de ser Europa, não é União Europeia. 

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3 comments

  1. Respostas
    1. Já com direito a jantar na maison Fernandes e tudo. Luxo, mesmo! :)

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  2. Adorei ler-te, para não variar :p mantém isto tudo aceso que quero saber tudo! um beijinho *

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