As saudades que eu tenho deles, no dia em que se celebram todos os animais do mundo

By Rita Varandas - terça-feira, outubro 04, 2016

O Gili foi o primeiro animal com patas que tivemos os dois juntos. Digo isto, porque existiu na nossa vida o Aimar, um peixe vermelho (à benfica, claro!) mas a interação com ele não era muito - digamos - intensa! :)
Nunca quis que este blog ou os restantes social media tivessem demasiado fotografias do meu gato. Aqui me confesso: - tiro bastantes fotos ao Gili, assim como tirava à Jah e ao Marley. Sempre me contive para não estar constantemente a publicá-las. Eles são criaturas maravilhosas e, na maioria dos casos, fotogénicas. 
Para mim não há só um dia, a minha vida não seria tão feliz e completa sem eles, mas entendo a comemoração do Dia Mundial dos Animais. 


Foi a primeira vez que tive um gato de casa. Em miúda tive outro - curiosamente o oposto do Gili que é preto, aquele chamava-se branquinho. Bem, era um branco sujo ou branco champagne ;) O branquinho andava o dia inteiro na sua vidinha e à noite vinha pedir comida e mimos. Regressava todos os dias e sempre que demorava um pouco mais, quase ficava com crises de ansiedade, mas eram outros tempos e outras formas de encarar os animais. Hoje em dia, nunca na vida deixaria o Gili andar sozinho na rua :)







Mas a minha grande paixão foi a Jah. Lembro-me perfeitamente do dia em que a escolhi e ela a mim. Fui à Fundação São Francisco de Assis, em Cascais, porque queria adoptar e recusava-me a pagar por um animal quando há tantos sem dono. Foi quase instantâneo, apaixonei-me por ela, apesar de ser bastante maior do que procurava.
Era a mais medrosa. Estava dentro das boxes (malditas) e quando todos os outros cães que com ela partilhavam aquele metro quadrado vinham às grades pedir em surdina "leva-me, leva-me", ela mantinha-se lá atrás, quieta e sem saber como agir. O Sérgio diz que sou pelas minorias, talvez, mas essa timidez e esse receio fez-me quere-la comigo e traze-la para junto da família. Era tão minha quanto da minha mãe. Ambas morremos de saudades dela... 







E depois há o Marley, que na verdade ficou a ser o cão do meu avô. Impressionante a amizade que aquele animal tinha com ele, para onde quer que ele se virasse, o Marley estava lá. O meu avô chamou-o de "Jolie" e para sempre ele ficou com dois nomes. 
Ele e a Jah sempre foram amigos. Eu adoptei a Jah e uns meses mais tarde o meu avô trouxe o Marley - que também andava a vaguear sem destino na praia de Carcavelos. Encontrou uma casa connosco. 
Era muito eléctrico, a roçar o hiper-activo, mas inteligente. Aprendia tudo com uma facilidade tremenda e tinha uma sensibilidade gigante no que toca ao meu avô. O Sérgio sempre que ia lá a casa, tentava dar-lhe umas lições ;) 



Infelizmente, eles não duram para sempre e numa consulta de rotina descobrimos que o Marley tinha um tumor maligno e, como descreveram, fulminante. Ainda foi submetido a uma cirurgia, mas não resistiu, o que não significa que não tenha mantido o amor por nós até ao fim. 
No pós-operatório e após a equipa clínica perceber que não havia mais nada a fazer, falou-se na famigerada injecção. A verdade é que não foi preciso. Ele esperou por nós para morrer e nós fomos a última visão dele. 
Um ou dois meses mais tarde, a Jah morreu. De um momento para o outro, tombou e apesar dos esforços para levá-la ao veterinário, parece que teve uma paragem cardio-respiratória. Quero acreditar que foram as saudades que tinha do Marley. 
Esta não é uma história triste. Fico genuinamente feliz pelas histórias que posso contar sobre eles e nunca esquecerei o bem que me fizeram. 

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