O fim da inocência - minha e delas - e de uma das fotografias favoritas da Tailândia

By Rita Varandas - segunda-feira, outubro 03, 2016

Era uma das fotografias que mais gostávamos. 
A profundidade de campo, as cores, o enquadramento e, claro, o elemento humano: as miúdas de uma das tribos do norte do país, perto de Chiang Mai - julgo que a Hmong Hill Tribe - a brincarem, alheias às centenas de turistas que se passeavam no templo Wat Phra Doi Suthep. O cenário idílico. Errado! Eu e a minha inocência! Deviam era estar a falar do próximo assalto... 


Chamou-me logo a atenção o lead da notícia por se tratar de um dos países que, recentemente, visitámos. Acho que é natural esta nova sensação de proximidade, apesar da distância geográfica que nos separa. Reconhecemos os locais, os traços das pessoas e da cultura, as vestes, tudo o que fomos absorvendo durante o tempo de viagem.

Não sei se são as mesmas miúdas, mas existem aqui muitas parecenças. Bem, uma coisa é certa, elas são da mesma tribo, por causa das roupas que são características de cada grupo étnico. Coloquei as fotos lado a lado e até fui ao disco externo pesquisar mais fotos na pasta Chiang Mai e parecem ser as mesmas crianças. O que nós já nos rimos com a descoberta (coitados dos outros turistas). 

Enquanto a turista pousava para a câmara, uma das miúdas tirava-lhe doce e discretamente o relógio, nunca perdendo a compostura e mantendo o sorriso. Nenhum dos dois se apercebeu do sucedido, só dias mais tarde, ao reverem as fotos, descobriram o assalto. 



A vida das tribos na Tailândia e imagino que noutros países socorre-se, hoje em dia, do turismo. É percorrer as ruas e ouvir as dezenas (se não centenas) de propostas de guias, vindas de todas as direções, que prometem uma viagem aos costumes e modo de vida destas gentes. 

Julgo que situações como esta - que acabou por ser notícia - podem justificar-se pela pobreza que atingiu muitas tribos. A agricultura e o pastoreio, bem como a plantação de ópio que foi (e ainda é) muito comum em tribos do chamado "triângulo dourado" sofreram restrições, daí estas minorias voltarem-se para os turistas e as suas carteiras mais recheadas - ou neste caso, relógios mais apelativos.

Conhecer estas tribos não deixa de ser uma experiência muito rica. Por se localizarem nas montanhas, as vistas são de cortar a respiração e é curioso percorrer as ruas estreitas e labirínticas e explorar as barraquinhas com produtos feitos pela própria população. É interessante também observar como as populações tentam equilibrar o moderno com o tradicional. Nós visitámos a Doi Pui Hmong Village (Maeo).












Estas coisas acontecem no dia-a-dia e, obviamente, quando se está de viagem. Eu, por exemplo, chegava a parecer maluquinha, quando confirmava umas dezenas de vezes e num curto espaço de tempo onde estava o telemóvel, a carteira ou qualquer outro pertence mais-valioso :) Manias!
Foi bom recordar a Tailândia, mesmo que tenha sido por uma notícia menos agradável.

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