Reutilizar para decorar: uma pequena obsessão por palettes

By Rita Varandas - quarta-feira, março 29, 2017


O primeiro capítulo da vida de um expat no que às mudanças diz respeito começa, muitas vezes, por contratar uma empresa transportadora - e sabemos bem que esta tarefa inclui muita pesquisa, pedidos de orçamentos e outras burocracias pouco simpáticas - a que se segue o processo de empacotar a vida nuns caixotes e rezar para que tudo chegue inteiro à nova casa. Aconteceu com muitos dos nossos amigos que também emigraram, sobretudo os que alugavam apartamentos.

No nosso caso, a casa ficou connosco e com ela toda a mobília. A verdade é que não deixámos nada de grande valor monetário para trás. Nenhum dos armários é de madeira vitoriana ou a cama pertenceu a algum rei.

Portanto: nova casa, nova decoração. Sim, mas com uma estratégia diferente, menos permanente e mais susceptível a mudanças. Vamos comprando algumas coisas aos poucos, reutilizando mais materiais como palettes ou caixas de vinho e usar a criatividade com pequenas coisas, como cartões postais ou folhas de revistas.



Felizmente, todos os domingos há um mercado na nossa rua. Depois dos comerciantes terminarem o dia de feira, é altura de sairmos de casa em busca da palette perfeita.
Gosto do resultado rústico e imperfeito. Não estive com muitos pormenores. Lixei, dei um primário e pintei. Coloquei umas rodas e dispensei o vidro de cima. Deu um trabalhão porque a palette era grande e lixar manualmente exige força de braços, mas compensou. Não gastei mais do que 30 euros e ganhei uma mesa de centro personalizada.


Desde que cheguei e à falta das revistas portuguesas a que me habituei, comecei a seguir a Flow (acho que também está à venda em Portugal). Aliás, foi o Sérgio que comprou porque "tinha a minha cara". Gosto sobretudo do design, das manualidades que sugere e dos inúmeros destacáveis, incluíndo as páginas que funcionam como verdadeiros quadros. Utilizei-as para decorar a parede branca do escritório/quarto de hóspedes.

Seguindo a mesma lógica, na viagem a Viena comprámos o poster da exposição de Van Gogh que fomos ver no Albertina. Trouxemos também algumas pequenas réplicas de outros artistas e, sempre que tenho oportunidade, compro alguns postais que me chamam mais a atenção. Emolduro e vou espalhando estrategicamente pela casa. Na parede de fundo da estante, por exemplo, como se de um quadro se tratasse.




Numa época de consumismo, de produção de lixo de toda a espécie que atinge valores inimagináveis e em que tudo é descartável, faz-me sentido ir aproveitando alguns materiais e reutilizá-los. 

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